"Gil Vicente é o teatro em estado puro." - Vitor pavão dos Santos
Segunda-feira, 5 de Março de 2007
A estrutura da obra

J á falei bastante da obra de Gil Vicente, mas ainda não tínhamos pesquisado sobre a sua base, a sua formação.

Estilo: é uma obra escrita em verso. Em algumas passagens, mistura o português com o latim e com o espanhol. Cada personagem denuncia, através da fala, traços que caracterizam a sua posição social.

Estrutura: é uma peça teatral que se desenrola num único acto, subdividido por cenas marcadas pelos di á logos, ora do Anjo, ora do Diabo.

Cen á rio: tal como disse o Diogo, o cen á rio da peça resume-se a um porto onde estão atracadas duas barcas. Todas as personagens, que estão obviamente mortas, têm de passar por este local para serem julgadas.

As personagens têm características pr óprias. Queres conhecê-las melhor? lembra-te que Gil Vicente usa as suas obras para criticar a vida quotidiana e os diferentes grupos sociais.

O Fidalgo representa a nobreza. O diabo alega que o Fidalgo o acompanhar à por ter tido uma vida de luxúria e de pecados. Ao Fidalgo, nada lhe valem as “compras” de desculpas, ou orações encomendadas. A cr tica à nobreza é centrada nos dois principais defeitos humanos: o orgulho e a pr á tica da tirania.

A segunda personagem a ser julgada é o Onzeneiro, que ao chegar à barca do Diabo descobre que todo o seu dinheiro ficou por terra. Lembra-se então de utilizar o pretexto de o ir buscar para conseguir sair daquela barca, mas não consegue que o Diabo o deixe conseguir o seu intento.

O Parvo foi um dos poucos a não ser condenado ao Inferno. O Parvo chega desprovido de tudo, é simples, sem malícia e consegue driblar o Diabo, e até injuri á lo . Ao passar pela barca do Anjo, diz ser «ninguém». Porque a sua humildade é o seu verdadeiro valor, é conduzido ao Paraíso.

O Sapateiro é o representante dos artesãos. Tenta enganar o Diabo, mas este é mais esperto do que ele e o homem acaba por ir parar ao Inferno.

Como todos os representantes do Clero (focalizados por Gil Vicente) o Frade é alegre, bom dançarino mas com um mau car á cter . Acompanhado pela sua amante, o Frade acredita que por ter rezado e ter estado ao serviço da fé, os seus pecados deveriam ser perdoados, mas contra suas expectativas, é condenado ao fogo do Inferno. Pensa-se que Gil Vicente critica o Clero, acreditando-o incapaz de pregar as três coisas mais simples: a paz, a verdade e a fé.

Outra personagem é a  Brísida Vaz, que é uma Alcoviteira e uma feiticeira. dedicou-se á prostituição e é condenada ao inferno, embora resmungue muito, pois não acha essa decisão justa.

Judeu vem acompanhado por um bode. É desprezado por todos e segue para a barca do Diabo.

De seguida, aparecem o Corregedor e o procurados, que representam, como pudeste ouvir na entrevista a Gil Vicente,  a justiça. São levados igualmente para junto do Diabo, porque manipularam a justiça de acordo com o seu bem-estar.

Chegamos ao Enforcado, que pensava que os seus pecados tinham sido removidos por ter sido condenado à morte e ia para o Paraíso, mas engana-se.

Por fim, os Cavaleiros, que entram para o Paraíso por terem morrido a lutar pela fé cristã.

Penso que já ficaste a conhecer melhor a estrutura e as personagens do auto. Ah! Tu sabes o que é um auto? Não?  Que cabeça a minha... só me lembrei disso quando o Paulo hoje me perguntou se eu sabia o que era... bom , não interessa.

Um "auto" é o que se chama às peças teatrais cujo objectivo é divertir e instruir o público. Podem ser religiosos (ou não), sérios ou cómicos. No entanto, têm que ter sempre uma moral.

Vou andando...



publicado por Gil Vicente às 16:59
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Domingo, 4 de Março de 2007
Debate

Resolvemos voltar ao passado e organizar um debate com as personagens do auto. Infelizmente, só puderam comparecer a alcoviteira, o judeu e um dos cavaleiros.... Convidámos também o nosso amigo Gil Vicente, que não faltou.
O debate passou-se mais ou menos assim:

Eu - Ora muito bem. Daremos início ao debate. Passo a palavra, primeiramente, ao senhor Gil Vicente.

G.V . - Ah, sim. Bom: para elaborar a peça, tive que pensar muito bem quem iria para o Inferno ou para a Glória. Nesta mesa está apenas um elemento da Glória, que é o Parvo.

Eu - Sim senhor. Já sabemos que mandou a alcoviteira para o Inferno. Justifique por favor mais pormenorizadamente essa sua decisão.

G.V . - A prostituição não é uma coisa boa. As mulheres não devem ir por esse caminho, pois estão a vender o seu corpo. O corpo de cada pessoa é uma coisa única e não o devemos vender dessa forma.

Alcov . - Protesto, senhor! Qual o problema de vender o meu corpo se bem que estou na minha própria consciência? Nenhum homem ou deus tem o direito de julgar uma pobre mulher que quer ganhar uns cobres. Trabalho, senhor. Um trabalho triste e duro, muito mais duro do que essas meninas mui inconvenientes que passam o dia suspirando por um nobre impossível de amar.

Jud . - Não é solução, senhora, o sexo para uns cobres ganhar. Há trabalhos no campo e filhos para cuidar.

G.V . - Mas quem és tu, meu Judeu, para estares para aí a falar? Tu, que partiste para o Inferno de atrelado, tal como a alcoviteira?

Jud . - Parti, mas parti injustamente.

Alcov . - Todos te desprezam, judeu de pau carunchoso! Até o Diabo não te queria.

Eu - Quem tem a dizer sobre isto, senhor Gil Vicente?

G.V . - Mandei o judeu para o Inferno porque ele não seguia os procedimentos religiosos da fé cristã. O cavaleiro cruzado, por exemplo, vai para a barca da Glória porque lutam pelo triunfo da fé cristã, embora morram em poder dos mouros.

Cav . - Pois. Fui perdoado e pude entrar para a Gloriosa barca.

Eu - Sim senhor. Vamos então fechar este debate. Muito boa noite.



publicado por Gil Vicente às 22:04
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Sábado, 3 de Março de 2007
Opinião

Lá na escola em que eu e os meus colegas andamos, organizou-se uma visita de estudo até ao teatro. A obra que iria ser representada não podia vir mais a calhar. "O Auto da Barca do Inferno".

Um amigo da Ana Luísa, o Diogo, foi assistir à peça e respondeu-nos a algumas questões que colocamos...

Revelou-nos que em cenário, estão logo de início as duas barcas - a da Glória e a do Inferno. O Diabo estava principalmente vestido de vermelho e o Anjo  tinha duas asas de penas e estava todo vestido de branco.

Quando lhe perguntamos que cena é que o tinha marcado mais, respondeu-nos que foi a parte do judeu, porque toda a gente o desprezava, incluindo o próprio Diabo que não o deixava entrar na sua barca e teve de ir de reboque.

Confessou-nos que gostou da peça. A mensagem que retirou desta peça foi que quem é corrupto ou malvado deve ser condenado seja qual for a sua posição social.


 Bem, tenho que ir. Agradecemos muito ao Diogo por nos ter ajudado.


Adeus




publicado por Gil Vicente às 22:38
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Quarta-feira, 21 de Fevereiro de 2007
Uma ideia gira

Sabes as últimas?? O nosso  grupo é mesmo tolo...  Imagina o que fizemos desta vez ! Decidimos escrever para o jornal! É verdade! Um tio afastado do Paulo e do Carlos trabalha no Diário de Notícias, e achou graça que estivéssemos a investigar a vida e obra de Gil Vicente. Disse-nos que se calhar ficava giro, uma reportagem sobre o escritor no jornal. Como o director do Diário de Notícias é muito amigo deste parente dos gémeos, concordou logo, desde que o Sr. Gustavo (assim se chama o tal tio) se responsabilizasse pelo artigo e assumisse todos os erros que pudessem aparecer lá...     O artigo ficou assim:

 

21 Fevereiro 07

 


Foi, em todo o caso, uma sorte, escreve-nos Ana Luísa Taveira – repórter especial. Em 1502, um homem vestido de vaqueiro surge na câmara da rainha D. Maria. Este homem representa uma peça que muito entusiasmou os presentes naquele local, por isso, pediram ao autor e intérprete da peça que a voltasse a representar nos festejos de Natal, em honra ao futuro rei D. João II, que nascera recentemente.

Este homem era Gil Vicente, o famoso dramaturgo, que tinha na corte portuguesa a função de organizar as festas do palácio, e foi para ela que escreveu suas comédias, farsas e moralidades. «Foi uma sensação dificilmente descritiva. Como homenageei o filho de Sua Alteza e não Deus, como é costume nos autos, tinha um certo receio de que ficassem escandalizados comigo.» comenta Gil Vicente.  Mas a sorte sorriu a este homem, eu criou assim o teatro profano (criado fora da Igreja).

Esta primeira peça apresentava uma nítida influência da dramaturgia do espanhol Juan del Encina , de carácter pastoral e religioso, mas como disse o próprio Vicente: «era ainda um principiante…».

Como a corte portuguesa - para quem trabalhou durante 34 anos - era bilingue, Gil Vicente criou peças em português, em castelhano e algumas nas duas línguas.

Do ponto de vista técnico, a dramaturgia de Gil Vicente é rústica e primitiva. Desconhecia o teatro greco-latino e a tradicional lei das três unidades (único lugar, tempo delimitado e apresentar o mesmo tipo de acção), que sempre caracterizou o teatro clássico.

A obra de Gil preocupa-se essencialmente em apresentar o homem em sociedade, criticando-lhe os costumes e tendo em vista reformá-los. Trata-se portando, de uma obra com missão moralizante e reformadora. Não visa atingir instituições, mas os homens que as compõem.

As peças de fundo religioso, portanto, demonstram como o ser humano em geral - independentemente da classe social, raça, sexo ou opção religiosa - é egoísta, falso, mentiroso, orgulhoso e frágil perante os apelos da carne e do dinheiro. Dessa forma, nenhuma classe ou grupo social escapa à sátira mordaz de Gil Vicente:  o rei, o papa, o clérigo corrupto e devasso, o médico incompetente, o curandeiro, a mulher adúltera, a alcoviteira, o juiz desonesto, o camponês, a donzela, o velho, o parvo, a beberrona, a moça da vila, o soldado, o judeu oportunista, o burguês ignorante e materialista. Neste sentido, Gil Vicente mostrava-se crítico diante da nova ordem social e dos valores burgueses que surgiram na sociedade portuguesa do início do século XVI.

Ana Luísa Taveira


 

Outra novidade: decidimos ir todos juntos tentar outra vez entrar no livro mágico... que sabe se poderemos saber um pouco mais sobre a época em que Gil Vicente viveu...

Ups , tenho de ir!





publicado por Gil Vicente às 10:17
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Segunda-feira, 19 de Fevereiro de 2007
Uma entrevista
Hoje aconteceu uma coisa engraçada... Eu e a Ana Luísa íamos ao cinema juntas, mas os planos foram por água abaixo quando passamos junto a uma livraria enorme e, obviamente, cheia de livros. A Ana Luísa não queria, mas eu puxei-a lá para dentro porque queria procurar uma enciclopédia para o trabalho de Língua Portuguesa. Estava eu à procura, quando a Ana Luísa me chamou muito entusiasmada. - Olha, vem ver ali uma coisa! Talvez te interesse... Eu segui-a e qual não foi o meu espanto ao encontrar um livro sobre a vida e obra de Gil Vicente... Comprámos logo aquele livro e voltamos a casa da Ana Luísa. A dado momento, uma luz estranha começou a "sair" do livro e antes que nos pudéssemos aperceber, tínhamos sido sugadas lá para dentro. Só mais tarde percebemos, ao olhar para a paisagem rural e para um castelo que pertencia, segundo a Ana Luísa, ao rei D. Afonso V, que tínhamos recuado no tempo e estávamos no século XV, onde Gil Vicente viveu. - Vamos à procura dele! Temos que lhe fazer umas perguntas... - sugeri eu. - Boa ideia. Tivemos muita sorte, porque o encontramos facilmente. A Ana Luísa tinha levado a máquina de filmar, por isso podemos mostrar-te a nossa entrevista ...
Bom, adeus.


publicado por Gil Vicente às 12:14
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Domingo, 11 de Fevereiro de 2007
Um pouco de História

Para começarmos a nossa investigação, tivemos que pesquisar um pouco sobre a história (tudo no geral, claro) de Gil Vicente. Tudo o que conseguimos recolher é muito interessante. Ora vê lá :


Gil Vicente nasceu em 1465 (séc. XV) ou em Guimarães ou nas Beiras.


Casou com Branca Bezerra, de quem nasceram Gaspar Vicente e Belchior Vicente. Após a morte da sua mulher, casou com Melícia Rodrigues, e dessa união nasceram Paula, Luís e Valéria Vicente.

 

Viveu na altura em que a Idade Média passava para o período Romântico, tal como mostram as suas obras.

 

No início do século XVI, o dramaturgo (o que compõe peças de drama para serem representadas no teatro) fazia parte da corte, participando nalguns torneios poéticos.

Gil Vicente foi também ourives e devesse-lhe a Costódia de Belém”.
Ao longo de mais de três décadas, Gil Vicente foi um dos principais animadores dos serões da corte. Escreveu, encenou e representou mais de 40 autos. Todos motivo de estudo e ainda hoje muito representados em Portugal e no estrangeiro.

 

É reconhecido como “Pai do Teatro”, pois foi ele que nasceu esta forma de arte.

Dirigiu os festejos em honra de D. Leonor. Defensor dos cristãos-novos, criticou bastante o clero e a nobreza nas suas obras.

 

A sua primeira peça, “Monólogo do Vaqueiro (Auto da Visitação)” – 1502 - foi escrita e representada pelo próprio Gil Vicente na câmara da rainha, para comemorar o nascimento do príncipe D. João, futuro D. João III. A última, “Floresta de Enganos”, foi escrita no ano da sua morte.
A forma popular de expressão é uma característica muito notável nas suas obras.

 

Morreu em 1536, deixando uma obra importantíssima que ainda hoje é muito admirada. 

 

Cada vez temos vontade de saber mais sobre este senhor, como disse hoje o Carlos... E tu? Sim? Claro, nem esperávamos outra coisa!



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publicado por Gil Vicente às 12:12
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Sexta-feira, 9 de Fevereiro de 2007
Aventuras
Não sei se já te apercebeste, mas os "The Bests" têm imensas aventuras e adoram explorar, ler e saber mais! Aqui, vamos assumir o papel de jornalistas e exploradores. A Susana, a líder do nosso grupo, vai relatar-te todas as peripécias por que passaremos, sem escapar o mais pequeno pormenor.

Vemo-nos em breve!!


publicado por Gil Vicente às 10:49
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Quinta-feira, 8 de Fevereiro de 2007
Porquê Gil Vicente? Porquê esta Obra?
Antes de mais nada, achámos por bem explicar o que se pretende com este blog e o porquê das nossas escolhas sobre o tema dele.

Gil Vicente teve uma grande importância para a História de Portugal, apesar de não se ouvir muito falar dele. Pensámos que seria bom trazer este "Pai do Teatro" mais para a superfície das mossas memórias.

Claro que Gil Vicente escreveu muitas  obras, e realizou muitas mais actividades, mas uma das mais admiráveis foi sem dúvida o "Auto da Barca do Inferno", representada pela primeira vez em 1517. Nesta obra então duas barcas: a do Inferno e a da Glória. A do Inferno, é comandada pelo Diabo, enquanto que a da Glória, é dirigida pelo Anjo. Então... Ah... naaaa ... Não vamos contar já tudo... Depois perde a graça.   Vais ter de sofrer...


Mas não te preocupes, vai valer a pena! Continua!


publicado por Gil Vicente às 21:24
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Terça-feira, 6 de Fevereiro de 2007
Gil Vicente e a sua Obra
Já ouviste falar de Gil Vicente? Sabes o que é que este respeitável dramaturgo tem para te mostrar?

Aqui vais ficar a saber tudo sobre Gil Vicente e uma das suas mais admiráveis obras: "Auto da Barca do Inferno". Vais poder saber como é a tão complexa obra Vicentrina , como escreveu a obra referida a até assistir a uma entrevista com este escritor.


Vai ser mesmo divertido!!!!





publicado por Gil Vicente às 17:23
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